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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

No piano da minha sala

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Os dias às vezes são como as teclas dos pianos, produzem diversos sons, graves, agudos, desafinados, lindos, feios. À que saber tocar, ou ficar em silêncio? É engraçado ouvir como se formam os sons, como se interligam, como se desfazem uns nos outros.  A criatividade que se ouve, que se sente, aquilo que somos capazes de recordar, o que conseguimos reter, as emoções para onde nos levam os sons. As mãos bailando em cima das teclas, vão e vêm, às vezes num frenesim, às vezes mansas, os sons elevam-se tímidos, às vezes revoltos, parecem as ondas salgadas de que tanto gosto, brincam até ao tecto, vão até à porta, não saem, entram então nos meus neurónios já cansados dos dias de gritaria e explodem. Oiço assim o baloiçar das notas, as teclas separam-se na ponta dos dedos. É magia. 

 

Alice Alfazema 

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