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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

2016

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Certa vez, permitiu-se que um rabino muito justo visitasse o Purgatório e o Paraíso. Primeiro, foi levado ao Purgatório, de onde vinham os gritos mais horrendos dos rostos mais angustiados que já vira. As pessoas encontravam-se sentadas em torno de uma grande mesa, sobre a qual estava a comida mais deliciosa que se possa imaginar, com a prataria e louça maravilhosa que jamais existiram. Não compreendendo porque sofriam tanto, o rabino prestou mais atenção e viu  que os cotovelos de todos estavam invertidos, de forma que não podiam dobrar os braços e levar as iguarias à boca.

 

O rabino foi então levado ao Paraíso, de onde vinham altas gargalhadas e reinava um clima de festa. Porém, para sua surpresa, encontrou todos sentados à mesma mesa que vira no Purgatório, com a mesma comida, tudo igual - incluindo os cotovelos invertidos -, apenas com um detalhe adicional: cada pessoa levava a comida à boca da outra. 

 

 

Feliz 2016!

 

 

Alice Alfazema

 

 

Aqui

 

Fotografia Vincent Xeridat

 

As pessoas reflectem no fim do ano porque sentem que pode vir daí algo novo. Não o fazem constantemente porque isso exige despedirmo-nos de coisas, lembrarmos emoções, recordarmos perdas. Permitem-se então no fim recordar aquilo que é, e o que foi. Mas existe realmente um fim? O melhor será sempre o começo? 

 

Alice Alfazema

 

Poema ilustrado

Às vezes recebo comentários em forma de poemas. Hoje vou ilustrar um desses poemas, que foi um comentário ao meu post Mundos. As fotografias foram tiradas por mim no dia de Natal.

 

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De onde venho não sei
Pra onde vou eu sei lá
Na maré vazia caminharei
Sempre do lado de cá

 

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Saber tudo de nada
E saber de nada convém
Na maré cheia a caminhada
Do lado de lá também

 

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Somos gota no universo
Nas asas do sonho voando
Aterrando em lugar nenhum

 

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Escutando o silêncio disperso
Desse novo ano chegando
Que não seja apenas mais um.

 

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Termino com uma planta renascendo, talvez uma orquídea silvestre, é uma vida que cresce para celebrar um novo ano. Tranquilamente saboreando a aragem marítima e o aroma da Serra. Esticando-se para o Céu e dando graças ao Sol pelo verde que lhe veste o corpo. Lambe o orvalho que ficou da Lua e cresce, cresce, tranquila.

 

O poema é do Poeta Zarolho. Obrigada pelo poema. 

 

Alice Alfazema

 

Aniversário do Ginjas

ginjas1.JPG

 

O Ginjas hoje faz um ano. Não pediu prenda de aniversário, nem bolo, apenas brincadeira e alguma coisita para roer, não é esquisito, tanto pode roer a cadeira como a mesa, também come rolhas de cortiça, e aquilo que lhe cair na goela. A sua ultima experiência foi com um pacote de manteiga, ficou tão enjoado que jurou para nunca mais. É um cão catita, que veio encher esta casa de coisas divertidas.

 

Parabéns Ginjas!

 

Alice Alfazema

 

 

Os mundos

De  onde venho? Sei lá. Para onde vou? Também não sei.

 

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Há quem saiba tudo. Eu não sei de nada. Apenas estou aqui. 

 

ondas na maré.JPG

 

Caminhei até à maré vazia. Deu para caminhar mais longe, ver os baixios e o que restou das ondas que se foram. Foi um ano mentalista, de viagens para dentro, com paisagens para fora. Nem todas as viagens foram alegres, nem todos os tons de escrita puderam ser coloridos, nem todas as palavras fizeram sentido para quem as leu.

 

ginjinhas.JPG

 

Podemos correr sem ir para lado nenhum. No entanto também podemos viver em mundos diferentes dentro de nós. Preocupar-mo-nos com coisa nenhuma. Somos uma gota no universo, ou nem tanto.

 

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Gritamos sem som e rezamos lengalengas. Esquece-mo-nos de nós da esperança e da perseverança. Estamos aqui pelo nada ou por tudo. 

 

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Criamos amarras desnecessárias, em portos imaginários. Temos medos tempestuosos num mundo de imensas cores.  

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Onde estão as tuas asas? Para onde foram os teus sonhos?

 

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O ano resume-se a doze meses? Onde deixas-te os abraços? 

 

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A tranquilidade do silêncio. A magia da cor. Abraças-te o sorriso? 

 

vida de gato.JPG

 

Cheguei há tanto tempo e há tanto tempo que parti. Estou aqui e não estou. Fui para longe e estou tão perto.

 

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Caminho pela praia quase deserta. Aqueço-me neste caminhar. Sinto os cheiros e os sons. A brisa vem até mim e me trouxe para aqui. 

 

 

Alice Alfazema

 

 

 

 

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No cabeçalho, pintura de Hiroe Sasaki.

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