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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A sombra

Setembro 26, 2015

Alice Alfazema

 

 Ilustração Wendy Chidester

 

Por vezes a sombra sobrepõe-se à atitude. Nunca durante muito tempo. A sombra paira e imita, mas não tem a imagem. Está agarrada, nunca se liberta. Tenta imitar, mas falha, porque não tem consistência. Ri mas sem brilho. Opaca. Densa. A sombra muda de lugar, mas não muda de atitude. Copia. Observa e copia. 

 

Alice Alfazema

 

 

A dois, a três, a quatro...

Setembro 20, 2015

Alice Alfazema

Sentaram-se na esplanada do café, refastelados naquelas cadeiras que tão bem conhecem, assim como conhecem todos os subsídios a que têm direito. A mulher puxa do maço de cigarros e com a voz rouca fala sobre as notícias do momento. Os refugiados. Diz que tem pena deles, mas que deviam de ficar lá no país deles. Há anos que a vejo fumando cigarros e bebendo café na esplanada. Talvez trabalhe para alguma marca de café ou de cigarros. 

 

Alice Alfazema

Quotidiano

Setembro 19, 2015

Alice Alfazema

Vestiu-se de linho branco. Ajeitou o cinto, que tinha comprado numa loja de marca. Calçou os sapatos que tinham pequenos brilhantes e trancinhas feitas artesanalmente. Escovou mais uma vez o cabelo com aquela escova feita em madeira exótica. Perfumou-se. Pegou na mala pequenina e nas chaves do carro, mas antes deixou a sua solidariedade nas redes sociais. Gosto, gosto, gosto. 

 

Sentiu o peso do linho que ensopava com o seu suor naquela noite de Verão. Descalçou então os sapatos na beira da praia e molhou os pés na água fresca. A lua estava quase cheia.  Quem estaria na outra margem? 

 

Alice Alfazema

Isto é um desfile de moda

Setembro 19, 2015

Alice Alfazema

 

Os modelos estão perfeitamente enquadrados no mundo actual, onde se valorizam as caras trombudas, os ossos, a apatia. As cores utilizadas estão, também, bem escolhidas, fazem lembrar os vários cenários de guerra que se vivem em diversas partes do planeta. Muito ousado, sem dúvida. Inspirado provavelmente num telejornal qualquer. 

 

Fotografia daqui.

 

 

Alice Alfazema

Imaginar

Setembro 19, 2015

Alice Alfazema

cacto.JPG

 

 

 

 

Sei que os campos imaginam as suas
próprias rosas.
As pessoas imaginam os seus próprios campos
de rosas. E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente
eu pudesse acordar.

 

Herberto Helder

 

Alice Alfazema

Mas as mulheres é que têm os filhos/a mulher para o lar

Setembro 18, 2015

Alice Alfazema

 

 

Ilustração Laura Perez 

 

 

As galinhas para os ovos.

O lobo para o capuchinho vermelho.

O porco para a bifana.

O peixe para o filete.

 

 

A ovelha para as camisolas.

A águia para o Benfica.

A cegonha para trazer os bebés.

O pato para o quá quá.

 

 

O pombo para a caca nas varandas. 

O ursinho para ajudar a fazer ó ó.

 

O sapo para príncipe.

O cavalo para a ferradura da sorte.

O veado para o cabide.

A vaquinha para o tapete da sala. 

 

 

Alice Alfazema

 

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