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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alma

Agosto 30, 2015

Alice Alfazema

Ilustração Masha Kurbatova

 

Pelo Sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos,
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e do que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

- Partimos. Vamos. Somos.


Sebastião da Gama

 

Alice Alfazema

 

Ser ou não ser assistente operacional nas escolas portuguesas

Agosto 28, 2015

Alice Alfazema

Este país indigna-se que há gente licenciada e doutorada a concorrer para assistente operacional nas escolas públicas,  função essa, que tanto é exercida a vigiar como a limpar os WC, mas não se indigna com o ordenado que é pago para fazer essas funções. Também parece haver uma grande preocupação com o tipo de tratamento entre funcionário, professor e aluno. Deixarão de ser Dona disto ou daquilo ou passarão a ser Doutor blá, blá? Eis uma questão decisiva e deveras interessante para a sociedade portuguesa.

 

 

Alice Alfazema

 

A rotunda e as ovelhas

Agosto 25, 2015

Alice Alfazema

Num dia destes, enquanto passeávamos o Ginjas encontrámos quatro ovelhas a comer a relva da rotunda. Fresca e viçosa a relva parecia apetitosa, e deveria de o estar, pois a devoravam  num frenesim  melódico, encabeçado pelos chocalhos pendentes nos pescoços. Eram só as quatro,  fugidas do resto do rebanho. A música campestre pairava no ar, a pauta eram os dentes e as mastigadelas vorazes. O Ginjas, aquele dez reis de cão, ladrou, e o vozeirão fê-las parar. Silêncio. O cão ladrou outra vez. Deixá-mo-lo andar até elas. Fugiram. Mais uma ladradela e mais uma fugida. O medo era o seu pastor. Bastou apenas um som para as assustar, nada de mais, apenas isso. Formatadas para sentirem o medo como objectivo de vida. Talvez se tenham distraído um pouquinho, mas ele devora-as, assim como devora todos aqueles que se encontram na rotunda esperando que outros lhes indiquem o caminho, lhes criem as experiências que desejam, que lhes digam aquilo que acham que merecem ouvir, que não ousam por vergonha do falhanço, da perda, da dor. Petrificados ficam na relva, quando afinal a rotunda tem mais que um caminho para ousar. O medo é gelo. Mas ainda temos o Sol.

 

Alice Alfazema 

Bom dia macacada

Agosto 25, 2015

Alice Alfazema

Fotografia Marsel van Oosten

 

Eles queriam ser diferentes, especiais, esforçavam-se. Sorriam todos os dias, escreviam coisas bonitas sobre os perfumes, as roupas e os cosméticos que usavam aos milhares, eram cosmopolitas, sempre na moda. Pensavam que não faziam parte de nenhum padrão. O tanas. Não passam de uns macacos iguais a tantos outros. 

 

Alice Alfazema

 

 

 

A Lua

Agosto 24, 2015

Alice Alfazema

Ilustração Mariusz Stawarski

 

A lua estava em estado crescente, o castelo brilhava lá no alto, com a vila abraçada a ele. A coruja espreitava-nos no meio da erva queimada pelo sol. O cão espetava as orelhas, sentado à luz da lua. À volta os sobreiros faziam sombras castiças, bailando umas com as outras. Não sei quem brilhava mais se a lua, se o castelo. Ainda havia cheiro de Verão no ar. Olhei para o céu e aspirei aquele ar morno.

 

Alice Alfazema

 

 

 

Refastelar

Agosto 21, 2015

Alice Alfazema

 

Ando muito cansado
Tudo me dói
As pernas, os braços
Os pensamentos
As memórias dos passos
Que fui dando
Os efémeros carinhos dos afectos.
Errante pela vida estou
Até ao mobiliário diferente uso dou
Sento-me refastelado
Neste sofá, acordado
E acordo ali deitado
Ainda mais cansado.
E assim passo os dias
As noites
Como se o momento fosse de intervalo
Meia hora ao sol
Na prisão onde fui condenado
A passar o meu tempo
Por algo que fiz e não lembro.
 
 

 

Joaquim Marques
 
 
Acordar e dormir, o tempo que passa inexoravelmente, a sensualidade dos corpos na cama, a realidade onde temos que distribuir nossas atenções; neste limbo ainda antes de despertar, as palavras Cama para Sonhar me vieram talvez em sonho, talvez consciente. Elas vieram de algum lugar muito distante, mas ao invés de guiar-me ao inconsciente que tanto buscava, estas palavras trouxeram-me a tona. Elas pareceram-me uma proposta. Primeira imagem deste livro, Cama para sonhar é uma foto, uma proposição poética, pois toda cama é feita para dormir e portanto sonhar mas esta é “a” cama para sonhar. É um alerta, um lembrete que quando deitamos numa cama e fechamos os olhos saímos da realidade. A ideia de que de olhos cerrados podemos ver além, mas ainda assim um outro mundo muito parecido com o nosso. O inverso também é verdade, quando abrimos demais os olhos para as coisas mundanas, a realidade se torna onírica, se transforma num sonho próximo do sono profundo.
 
 
Ricardo Sardenberg
 
 

Retirado daqui.

 

 

Alice Alfazema

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