Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Salário igual / trabalho igual - onde?

Fico informada pelo telejornal  que a partir  hoje, dia 30 de Junho de 2015, as mulheres que trabalham na cortiça passam a usufruir do mesmo montante salarial que os homens. As negociações entre o patronato e os trabalhadores começaram há oito anos. Portanto foram precisos oito anos para mulheres e homens ganharem o mesmo por igual trabalho - numa mesma empresa - trabalhando lado a lado, rendendo-se por turnos uns e outros. O que podemos chamar a isto? Podemos então dizer que há uns mais iguais que outros. As reformas das mulheres que fizeram o mesmo tipo de trabalho ao longo de uma vida serão iguais aos dos seus ex colegas? E os danos morais? Não serão dignos de serem contabilizados?

Portugal continua ainda um país onde as desigualdades de género imperam, podemos ver isso nas mais variadas camadas do quotidiano. Desde as tarefas domésticas, ao cuidar dos filhos, à matança crescente na violência doméstica, ao acesso a empregos bem remunerados, a mulher continua, ainda e muito ainda a representar um modo auxiliar de vida dos homens deste país. Para quem não sabe o salário da mulher foi dado nos primórdios da industrialização como um complemento ao salário do homem, esse sim era considerado o ganha-pão da família, por isso tinha direito a receber mais, por trabalho igual. Assim,  apesar da mulher no seu dia-a-dia desempenhar um papel importante na economia paralela, trabalhando em casa e fora de casa ela ganhava menos, o que ainda hoje é uma realidade. Continuamos pois, neste maravilho século XXI a assistir a estes casos, num país que se diz desenvolvido. Quem nunca viu anúncios de senhores a recrutar senhoras para casamento, exigem no entanto que saibam fazer a lida da casa e que sejam carinhosas, em troca eles dão-lhes um tecto e alimentação. 

 

Ser mulher ainda é uma valente bosta neste país. Não se percebe muito bem é que haja uma imensa massa de eleitores femininos que se renegam a si mesmos. Acordem.  

 

Alice Alfazema

Pág. 1/11