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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Filtros

Abril 25, 2015

Alice Alfazema

São as mães que filtram a luz 

quando os buracos das meias recebem as tardes

junto à janela no cantinho da marquise

com vagar,

com vagar ocorrem as lembranças das crias

entre o espreitar à rua

e a linha conduzida na agulha pelas mãos.

As mãos, as mães. As mãos e as mães

são o útero da luz

 

Jorge Serafim

 

Alice Alfazema

 

25 de Abril de 2015

Abril 25, 2015

Alice Alfazema

cardos.JPG

Quatro décadas mais um ano se passaram desde Abril de 74, a Revolução dos Cravos. No entanto, os governos portugueses continuam demasiado engravatados, apenas uma mulher representou o cargo de primeiro ministro isto aconteceu entre Setembro de 1974 e Março de 1975, em dois Governos Provisórios, um curto espaço de tempo. Como dizem os historiadores António Costa Pinto e Pedro Tavares de Almeida, “o típico ministro português é homem, a meio da década dos 40, nascido em famílias urbanas da classe média, altamente escolarizado e com um passado de trabalho em funções públicas”. Usa gravata, apesar de Portugal ter uma das taxas mais altas da Europa de mulheres trabalhadoras desde meados da década de 60.

 

Parece-me fundamental que se mudem estas situações, as mulheres em Portugal continuam a ganhar menos que os homens e terem empregos ligados a decisões secundárias, grande parte nem isso. Num país em que existem cada vez mais mulheres licenciadas e doutoradas é de facto lamentável que este nicho especializado não seja canalizado para dinamizar a nossa sociedade. As ideias fundamentais são as mesmas há décadas, umas vezes são pinceladas de colorido para parecem diferentes, outras nem por isso, basta mudar a gravata que já é uma ideia nova. 

 

Gostei destas palavras do Carlos Azevedo, Durante uns tempos, com todos os erros, acreditou-se. Só por isso, não me importaria de ter vivido aqueles tempos. Em todo o caso, não me posso queixar: cada um deve viver o seu tempo histórico e eu tenho, como sempre tive, a capacidade de acreditar. Em quê? Ora bem, desde logo, em mim: que conseguirei recomeçar depois de falhar e que conseguirei recomeçar de novo depois de falhar a tentativa anterior. E é sobretudo isso que me ajuda a ser, dentro do que é possível a cada um de nós, livre.

 

É possível acreditar todos os dias, desde que para isso tenhamos exemplos vindos das mais altas posições políticas, ou de outros cargos essenciais à nossa sociedade, ora isso tem vindo a rarear, a corrupção tem vindo a ser premiada com tachos brilhantes, a justiça é lentinha, para que se transforme num rasto disforme. Gestores de alto gabarito, altos salários apenas para uma minoria que nem leva o país para um futuro, aumento de emigrantes, menos industria, as grande empresas são hipermercados, pela fome o lucro, pelos ordenados baixos a promoção da economia, horas pagas a nada. Exemplos de motivação - procuram-se, talvez os achem. 

 

Eu hoje queria por ali em cima um cravo bem vermelho, mas não o encontrei. Por todo o lado onde fui é um dia normal, as memórias apagam-se com facilidade, talvez seja da chuva que cai.

 

Discursos no Parlamento, palavras estudadas, possivelmente escritas por outras pessoas. Vejo um muro de cravos vermelhos enfeitando a base dos que falam. O nosso amado Presidente nem um tem na lapela, talvez julgue que lhe fique mal à tez amarelada. É isto, também,  a Liberdade, cada um usa aquilo que quer. Quanto a mim acho que o cardo lhe ficaria bem na lapela, por tudo aquilo que conseguiu dinamizar no país em que é um vector político que parece estar virado para lado nenhum. É este o Abril de 2015.

 

Alice Alfazema

O que andamos a fazer enquanto as árvores se abraçam?

Abril 19, 2015

Alice Alfazema

Todos os dias a ciência nos dá novidades,  a cada dia que passa vamos avançando em inúmeras descobertas, novas formas de fazer, novos meios para curar doenças, novas tecnologias, novas formas de encarar o quotidiano são-nos apresentadas diariamente. A expectativa da novidade é um meio que funciona como alavanca para o rodar dos dias, para que a novidade seja ponto assente nas nossas vidas. No entanto, à medida que o tempo avança a novidade perde o gosto e torna-se um ponto comum. Inventar tornou-se uma quimera vã. Há medida que mais e mais migrantes morrem no Mediterrâneo, a invenção avança. Inventamos de tudo, queremos experimentar, ter o gosto fantástico da primeira vez, no entanto ele dilui-se nas horas que passam. Porque não inventamos coisas velhas? Tais como o amor, a bondade, o olhar o próximo, a entre ajuda? Que andamos nós aqui a fazer enquanto as árvores se abraçam? A banalidade da violência matou-nos essas emoções vitais. A leviandade das notícias ocas que  passam de um sorriso ao drama num mero instante leva-nos ao descalabro dos laços sociais.

 

Alice Alfazema

 

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