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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Dezembro está à porta, tenham muito cuidado com o frio...

Novembro 30, 2014

Alice Alfazema

dezembro.gif

 

Com Dezembro à porta é hora de pensar em prendinhas, nada como dar coisas úteis e giras, aproveitem para serem solidárias/os e comprem o calendário de 2015, dos Bombeiros Sapadores de Setúbal, ofereçam com uns chocolatinhos, ou ainda, com compotas, queijos ou vinhos da região.

 

Podem saber mais clicando na imagem seguinte.

 

 

 

Alice Alfazema

 

Lembrança

Novembro 29, 2014

Alice Alfazema

 

gambas.JPG

 Magoa-me a saudade
do sobressalto dos corpos
ferindo-se de ternura
dói-me a distante lembrança
do teu vestido
caindo aos nossos pés

Magoa-me a saudade
do tempo em que te habitava
como o sal ocupa o mar
como a luz recolhendo-se
nas pupilas desatentas

Seja eu de novo tua sombra, teu desejo
tua noite sem remédio
tua virtude, tua carência
eu
que longe de ti sou fraco
eu
que já fui água, seiva vegetal
sou agora gota trémula, raiz exposta

Traz
de novo, meu amor,
a transparência da água
dá ocupação à minha ternura vadia
mergulha os teus dedos
no feitiço do meu peito
e espanta na gruta funda de mim
os animais que atormentam o meu sono

Mia Couto, in 'Raiz de Orvalho

 

 

Alice Alfazema

 

 

Uma pergunta por dia: Tens medo de utopias e de sonhos?

Novembro 29, 2014

Alice Alfazema

 Ilustração Luís Alves 

 

Se as coisas são inatingíveis... ora!
não é motivo para não quere-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
a magica presença das estrelas!

 

Mário Quintana 


Pergunta inspirada neste texto do Luís Milheiro, no blogue largo da memória.

 

Uma pergunta até ao final do ano, quem quiser responder esteja à vontade.

 

Alice Alfazema

Uma pergunta por dia: Seria possível construir um mundo justo?

Novembro 27, 2014

Alice Alfazema

 

Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos — se ninguém atraiçoasse — proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
— Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo

Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo

 

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"

 

 

Uma pergunta até ao final do ano, quem quiser responder esteja à vontade.

 

Alice Alfazema

Uma pergunta por dia: A água também tem velhice?

Novembro 24, 2014

Alice Alfazema

Ilustração Liese Chavez 

 

A água também nasce pequenina
- nasce gota de orvalho ou de neblina…

A água também tem a sua infância
- quando apenas riacho cantarola
brinca de roda nos redemoinhos
salta os seixos que encontra
e faz apostas de corrida – travessa –
por entre as grotas e peraus
e arranca as flores que a marginam
para engrinaldar a cabeleira solta
sobre o leito revolto das areias…

A água também tem adolescência
- sonha lagos românticos à lua
fitando os astros namorados dela
embevecida em seus olhos de ouro…
e assim sempre amorosa e sonhadora
vai tecendo e bordando – dia e noite
o seu vestido de noiva nas montanhas
e o seu véu de noivado nas cascatas…

A água também tem maturidade
- fica serena e grave em rios fundos
e num destino generoso e amigo
espalha a vida que em si mesma encerra
semeia bênçãos para o grão de trigo
abre caminhos líquidos da terra
e enlaça os povos através dos mares…

A água também tem sua velhice
- e de ver-lhe os cabelos muitos brancos
onda lenta de espuma destrinçada em neve, nos ares flutuando…

A água também sofre…e quando sofre
se faz divina e vem brilhar em lágrimas
ou se reflete a dor da natureza
geme no vento transformada em chuva.

A água também morre…e quando seca
- e a sua morte entristece tudo:
choram-lhe, enfim na desolação,
todos os seres vivos que a rodeiam
porque ela é o seio maternal da vida
e de tal maneira ama seus filhos rudes
que muitas vezes para os salvar se deixa
ficar sem o murmúrio de uma queixa
prisioneira de poços e açudes…

Bendita seja, pois, água divina
que fecunda, consola, dessedenta, purifica,
e que, desde pequenina,
feita gota de orvalho,
mata a sede das plantas entreabertas
e prepara o festivo esplendor da primavera…
e que, nascida em píncaros da serra
vem de tão alto, procurando sempre ter
um fim de planície e de humildade
até perder, na última renúncia,
o nome de batismo de seus rios
para ficar anônima nos mares.

 

Raul Machado

 

Uma pergunta até ao final do ano, quem quiser responder esteja à vontade.

 

Alice Alfazema

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