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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Pelo azul do céu e do mar

 

 

A dor de perder um filho não tem forma nem cor, apenas o tempo e só ele a faz mais leve, que o tempo seja breve a passar e que esvaia essa dor que agora é imensa.

 

Ergue a tua face

Para o brilho da Aurora.

Se enfrentada, com coragem,

A História passa

E a dor não se perpetua.

 

Ergue os olhos acima

Deste dia que perdeste.

Deixa ressurgir 

 o sonho.

 

Maya Angelou

 

 

 

Alice Alfazema

A realidade prática da dependência

 

Pintura Julio Romero de Torres

 

"A noção de dependência costumava ser aplicada apenas aos casos de alcoolismo e de consumo de drogas. Mas agora qualquer domínio de actividade pode ser invadido por esta praga. Pode-se ser viciado, logo dependente, do trabalho, do exercício, da comida, do sexo, do amor. E isso acontece porque estas actividades,  e também outros domínios da vida, são agora muito menos estruturados pela tradição e pelo costume do que eram em épocas anteriores. 

 

Tal como a tradição, a dependência significa que o passado está a influenciar o presente; e, como sucede com a tradição, a repetição tem um papel fundamental. O passado em questão é mais individual do que colectivo, a repetição é motivada pela angústia. Eu diria que a dependência é o congelamento da autonomia. Qualquer contexto de rejeição das tradições torna possível um grau de liberdade superior à que existia antes. Estamos a falar da emancipação dos homens em relação aos constrangimentos do passado. A dependência aparece quando a escolha que devia ser provocada pela autonomia, é subvertida pela angústia. Na tradição, o passado determina o presente através da partilha de sentimentos e crenças colectivas. A dependência também é serva do passado, mas só na medida em que não consegue romper com hábitos de vida que começaram por ser escolhidos livremente."

 

in, O mundo na era da globalização, Anthony Giddens 

 

 

Alice Alfazema

Verão

 

Ilustração Jantina Peperkamp

 

Verão que no verão as heras continuarão a subir os muros. Verão assim as extensões dos seus ramos que mesmo secos continuam resistindo ao infernal calor de verão. Verão desta forma que é possível vencer obstáculos, mesmo quando estamos agarrados, e verão ainda as libélulas e os mosquitos que também vos verão nesse calor de verão. Verão amoras silvestres. Verão que a tristeza passará com o calor e sobre a erva palha acontecerá um novo romance de verão.

 

Verão então que cada verão é importante demais para ser escrito apenas em minúsculas.

 

Alice Alfazema

 

 

Violência doméstica

 

A notícia passa na televisão, banal, tão banal que até assusta. Alguém diz que a vítima tinha quarenta e oito anos e sofria há mais de vinte oito de maus tratos...

 

Ardeste
Incólume


Promontório após
Promontório


O teu ser foi absorvendo
Inteiro
O horizonte laminado
Circular

 

Alberto de Lacerda

 

 

 

Se precisar peça apoio:

 

Alice Alfazema

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