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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Pelo azul do céu e do mar

Junho 29, 2014

Alice Alfazema

 

 

A dor de perder um filho não tem forma nem cor, apenas o tempo e só ele a faz mais leve, que o tempo seja breve a passar e que esvaia essa dor que agora é imensa.

 

Ergue a tua face

Para o brilho da Aurora.

Se enfrentada, com coragem,

A História passa

E a dor não se perpetua.

 

Ergue os olhos acima

Deste dia que perdeste.

Deixa ressurgir 

 o sonho.

 

Maya Angelou

 

 

 

Alice Alfazema

A realidade prática da dependência

Junho 28, 2014

Alice Alfazema

 

Pintura Julio Romero de Torres

 

"A noção de dependência costumava ser aplicada apenas aos casos de alcoolismo e de consumo de drogas. Mas agora qualquer domínio de actividade pode ser invadido por esta praga. Pode-se ser viciado, logo dependente, do trabalho, do exercício, da comida, do sexo, do amor. E isso acontece porque estas actividades,  e também outros domínios da vida, são agora muito menos estruturados pela tradição e pelo costume do que eram em épocas anteriores. 

 

Tal como a tradição, a dependência significa que o passado está a influenciar o presente; e, como sucede com a tradição, a repetição tem um papel fundamental. O passado em questão é mais individual do que colectivo, a repetição é motivada pela angústia. Eu diria que a dependência é o congelamento da autonomia. Qualquer contexto de rejeição das tradições torna possível um grau de liberdade superior à que existia antes. Estamos a falar da emancipação dos homens em relação aos constrangimentos do passado. A dependência aparece quando a escolha que devia ser provocada pela autonomia, é subvertida pela angústia. Na tradição, o passado determina o presente através da partilha de sentimentos e crenças colectivas. A dependência também é serva do passado, mas só na medida em que não consegue romper com hábitos de vida que começaram por ser escolhidos livremente."

 

in, O mundo na era da globalização, Anthony Giddens 

 

 

Alice Alfazema

Verão

Junho 21, 2014

Alice Alfazema

 

Ilustração Jantina Peperkamp

 

Verão que no verão as heras continuarão a subir os muros. Verão assim as extensões dos seus ramos que mesmo secos continuam resistindo ao infernal calor de verão. Verão desta forma que é possível vencer obstáculos, mesmo quando estamos agarrados, e verão ainda as libélulas e os mosquitos que também vos verão nesse calor de verão. Verão amoras silvestres. Verão que a tristeza passará com o calor e sobre a erva palha acontecerá um novo romance de verão.

 

Verão então que cada verão é importante demais para ser escrito apenas em minúsculas.

 

Alice Alfazema

 

 

Violência doméstica

Junho 20, 2014

Alice Alfazema

 

A notícia passa na televisão, banal, tão banal que até assusta. Alguém diz que a vítima tinha quarenta e oito anos e sofria há mais de vinte oito de maus tratos...

 

Ardeste
Incólume


Promontório após
Promontório


O teu ser foi absorvendo
Inteiro
O horizonte laminado
Circular

 

Alberto de Lacerda

 

 

 

Se precisar peça apoio:

 

Alice Alfazema

Gravidezes adiadas

Junho 19, 2014

Alice Alfazema

 

Ilustração Kai Pannen

 

E assim alguém denunciou que algumas empresas andam por aí, neste nosso país ainda sumariamente patriarcal, a obrigar as mulheres a assinar papéis em que devem de adiar gravidezes indesejadas empresarialmente. Durante um dia, enquanto a notícia esteve na página de jornais, as vozes soaram indignadas, depois calam-se, como se as notícias fossem assim um prato de cereais com leite que se acaba quando se come e se fica satisfeito. Fico a pensar quantos factores serão ignorados neste prato de cereais? 

 

Ainda há poucos anos tínhamos horários que nos proporcionavam momentos familiares, tão importantes para o crescimento saudável e emocional de uma criança. Hoje cada vez mais crianças estão em casa sozinhas, presumo que não seja necessário demonstrar em estudo o que isso significa, basta por uma pequena quantidade de massa cinzenta a funcionar, neste momento tenho dúvidas da cor... 

 

Continuando com a teoria dos cereais, onde trabalham as mulheres em Portugal, a grande maioria no sector primário, baixos salários, horários de merda, fins de semana incluídos, acrescentemos-lhes as tarefas domésticas que ainda constituem um legado patriarcal em muitos lares. 

 

São estas empresas o cerne desta questão?  Ou será toda uma sociedade desinteressada pelo outro? Baseada em legados mais morosos que a Monarquia, estamos assim como numa questão de sobrevivência entre o ser e o ter.

 

É claro que para uma pequena camada da população isto não quererá dizer nada, existe liberdade de actuar de ser e de estar, mas para tal existem também outros factores que são cruciais à sobrevivência de um país, não apenas a economia, a produção, mas e também a motivação emocional que pretende fazer de nós seres iguais em liberdade de escolhas. Uma mais um são matematicamente dois, mas podem ser três se os factores forem diferentes. 

 

A certeza de tudo é um mal que nos assola, que não podemos fazer diferente, a questão de ser tudo matematicamente possível é-nos caríssimo para que estejamos bem cotados em tudo o que é mercado, importância vital para a morte ou para a vida?

 

Restará interesse em ludibriar esta questão, como se ela se resumisse a meras empresas, quando todos sabemos que também o Estado contribui para a cultura de gravidezes indesejadas, cuspimos para o ar e ficamos a ver se vem vento a favor. Ficamos indignados por um dia, nem mais, porque o tempo urge, temos que caminhar, caminhar como se o tempo retornasse a outra época, mas agora numa de escravidão psicossomática.

 

 

 

Alice Alfazema

Oferenda mágica

Junho 18, 2014

Alice Alfazema

 

 

Pintura Vladimir Kush

 

Coisas que estou a ler:

 

É que a obra de arte, para além das energias que provocam os seus tantos devires teóricos, mantém-se como uma entidade viva e pulsante desde o seu aparecimento. Porque ela é feita de fogo e de terra, de ar e de água, de amor e de raiva, e ela é torrente que jorra, incandescente, descendo pelas fímbrias da alma daquele que a concebe e dá ao mundo, em oferenda mágica, porque o mundo deve dizer-se em escritas feitas de plasma ardente.

 

in, Para uma Introdução à Sociologia da Arte, Carla Alexandra Gonçalves, 2010:128

 

 

Alice Alfazema

Ente o sujo, o macio e a persistência

Junho 17, 2014

Alice Alfazema

 

 

Não importa o que se ama. Importa a matéria desse amor. As sucessivas camadas de vida que se atiram para dentro desse amor. As palavras são só um princípio - nem sequer o princípio. Porque no amor os princípios, os meios, os fins, são apenas fragmentos de uma história que continua  para  lá  dela , antes e depois do sangue breve de uma vida. Tudo serve a essa obsessão de verdade a que chamamos amor. O sujo, a luz, o áspero, o macio, a falha, a persistência. 
 
 
Inês  Pedrosa  
 

 

Alice Alfazema

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