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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Vai de bola

Hoje vai haver poesia:

 

 

Remate rasteiro a meia altura por cima da barra!

Fica na retina um cheiro de bom futebol.

Está uma humidade relativa, muito superior a 100%.

Juskowiak... a vantagem de ter duas pernas!


O Benfica está em excelente forma, a jogar num 3x4x3x3.

Repare-se na movimentação dos jogadores do Bayern, movimentam-se como figuras geométricas...o futebol é uma arte plástica!


Épahhh, Silvino a levar as mãos às bolas!


Um passe para a zona de ninguém, onde realmente não estava ninguém!

E agora entram as danças sevilhanas da Catalunha.

 

O Benfica está a praticar um jogo de passe curto…e longo, consoante as ocasiões.

Foi um jogo incolor, insípido e inodoro.

E as palmas saem de cima para baixo.

 

É um estádio bonito, moderno, arejado.

E aqui está, um golo substantivo que nem pode ser adjectivado.

Neste estádio ouve-se um silêncio ensurdecedor.

Podemos ver que o público está vestido.

 


Gabriel Alves



Alice Alfazema

Bebedeira de qualidade a 5€

A música no coreto, trombones e outros metais tocam com garra. O pessoal passeia e o dia termina. As luzes acendem-se e deixam antever o espectáculo de cores. Festeja-se o vinho. No coreto a música calou-se, amanhã há mais. Num outro palco, a miúda brasileira dança e canta com energia, a malta canta. Alguns agarradinhos à sua garrafa. As miúdas ficam cada vez mais desinibidas, abanam-se sem coreografia, e vai mais um golo. Aqui ninguém te pergunta se já tens idade para beber. Os miúdos mijam nos cantos recônditos das escadas. A música vibra. A malta canta. A malta bebe mais um golo. A música continua a vibrar, a malta vibra e canta, a malta bebe mais uma garrafa. Moscatel do bom, roxo. Fazem curvas rasantes e a música continua a vibrar e a malta a cantar. E a malta a beber.

 

- Bom-dia! Vomitaste bem?

 

Alice Alfazema

O pinheiro

A aranha subiu o tronco seco e nodoso do velho pinheiro. Lá em cima um ninho, quatro ovos lá dentro. O formigueiro junto às raízes fervilhava de movimento, as provisões para o Inverno eram levadas a um ritmo estonteante. Uma cobra deslizou pelo tronco velho e veio aninhar-se nas raízes que sobressaiam da terra. No dia seguinte apenas cinzas.

 

Alice Alfazema

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