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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Convite

Fevereiro 28, 2013

Alice Alfazema

A partir de hoje existirá um novo espaço para as conversas da escola, do Alice Alfazema, que terá também o mesmo nome. Será um pouco diferente dos pequenos diálogos. Como sempre haverá mais recreio que sala de aula. Passarei as postagens antigas daqui para lá e haverá sempre novidades, pois a escola é uma novela interminável e surpreendente, e gostaria de vos mostrar as mais diferentes perspectivas.

 

Fico à espera da vossa visita, o recreio dá para todos...

 

Visitar: Conversas da escola

 

 

 

Alice Alfazema

Saudade

Fevereiro 26, 2013

Alice Alfazema

 

Brinca enquanto souberes!
Tudo o que é bom e belo
Se desaprende...
A vida compra e vende
A perdição,
Alheado e feliz,
Brinca no mundo da imaginação,
Que nenhum outro mundo contradiz!
Brinca instintivamente
Como um bicho!
Fura os olhos do tempo,
E à volta do seu pasmo alvar
De cabra-cega tonta,
A saltar e a correr,
Desafronta
O adulto que hás-de ser!

Miguel Torga


Alice Alfazema

 

50 anos

Fevereiro 23, 2013

Alice Alfazema

 

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará. 

 

Mário Quintana




Alice Alfazema

Um sorriso, por favor!

Fevereiro 23, 2013

Alice Alfazema

 

 

 Pintura de Diego Akel

 

A Manuela era uma rapariga bonita e alegre. Gostava de experimentar tudo o que era novidade. Já tinha passado dos vinte quando experimentou pela primeira vez aquela malvada. Não sabia bem ao que ia. Disseram-lhe que aquilo era nice e que toda a gente experimentava. Não havia mal nisso. Foi num fim de semana de festa, a primeira vez, depois no seguinte e no outro que veio depois. Nunca mais a largou. Dizia que não era vício. Os anos passaram e ela deixou a alegria lá no fundo da alma. Reduziu-se a si própria ao pó que consumia. Entrou em casas de desintoxicação. Reaprendeu a viver  e voltou a desaprender. Uma vez e outra. Perdeu a juventude. Ganhou um brilho baço. Pediu moedas nos parques de estacionamento. Vendeu o corpo. Ficou sem a alma. Anda por ai. Passeia rua abaixo rua acima. Gasta os dias nisso. O tempo consumiu-lhe a memória.Tem medo de si. Não tem forças. Tem medo do escuro e que os pesadelos voltem. Há uns anos que não consome. Tem vergonha de ser quem é.  Às vezes esquece-se disso e sorri.  O seu sorriso é desdentado. Ninguém se preocupa com isso, querem é vê-la feliz.

 

 

Alice Alfazema

Sentido prático

Fevereiro 22, 2013

Alice Alfazema

A minha avó tinha um gato chamado Pirolito. E outro também chamado Pirolito, e mais outro e outro também chamados de Pirolito. Nunca houve dúvidas sobre o nome de cada gato. Cada um reconhecia o nome como sendo só seu. Se dúvidas houvessem sobre o nome de cada um todas seriam esclarecidas. Havia o Pirolito branco. O Pirolito preto. O Pirolito mansinho. O Pirolito rameloso. O Pirolito com a orelha ratada. O Pirolito gordo. O Pirolito escanzelado...

 

Há uns anos também tive um gato, adivinhem o nome que lhe dei?

 


Alice Alfazema

Colorindo

Fevereiro 22, 2013

Alice Alfazema

 

Pintura de Vanessa Agostini 

 

 

Cachos cacheiam 
a cada vento que passeia 
pela vida vazia
daquela guria...

Dia de sol e nuvens 
colorindo o céu.

Dia de crianças aprenderem
a fazer barquinho de papel.

Dia de ir tomar sorvete
e perguntar se seu irmão acredita:
em coelhinho da páscoa,
fadas, duendes e papai noel. 

Dia de olhar para dentro d'alma da gente 
para procurar o que é que a gente realmente sente...

Se é que sente.

Mas tem gente que sente
amor, paixão, alegria, tristeza, vazios... 
tem de tudo.

A guria que passeia no começo da poesia
só sente o vento embaraçando seu cabelo cacheado
e o tempo se fechando, pro seu penteado ser todo arruinado.

Sinto muito por ela.
Quem dera eu tivesse 
no início desses versos tortos, 
lhe desenhado uma umbrella.

Mas aí não seria ela.

 


Sarah Magalhães, in caderno Descolorido




Alice Alfazema

Para memória futura

Fevereiro 22, 2013

Alice Alfazema

 

 

Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.

 

 

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.
 
Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.
 
Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.
 
Minha laranja amarga e doce
minha espada
poema feito de dois gumes
tudo ou nada
Por ti renego, por ti aceito
este corcel que não sossego 
à desfilada no meu peito
 
Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.
 
Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura
 
Minha ousadia
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura.
 
José Carlos Ary dos Santos


Alice Alfazema

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