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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

O branco

Julho 17, 2012

Alice Alfazema

 Fotografia Patrícia Cruz

 

 

Muro, em que meditas,
ao longo da estrada, por estas quintas,
casas, ermos, entre paixões
de alma dos espectros
presentes e vindouros? E os vivos,
porque se escondem
por trás da tua fronte alta,
quieta, seca, que cobiça os astros,
sem saber que o teu corpo
de xisto corre, avança,
mas não pode soltar-se da Terra
e alcançar o Alto?

 

 

Fiama Hasse Pais Brandão

 

 

 

Alice Alfazema

 

A minha história preferida

Julho 15, 2012

Alice Alfazema

 

 

 

Reencontrei há dias o meu livro de leitura da segunda classe. Por mero acaso encontrei a história que foi a minha preferida durante muito tempo, deixo-vos aqui o texto.

 

 

Era uma vez uma casa pintada de amarelo com um jardim à volta.

 

No jardim havia tílias, bétulas, um cedro muito antigo, uma cerejeira e dois plátanos. Era debaixo do cedro que Joana brincava. Com musgo e ervas e paus fazia muitas casas pequenas encostadas ao grande tronco escuro. Depois imaginava os anõezinhos que, se existissem, poderiam morar naquelas casas. E fazia uma casa maior e mais complicada para o rei dos anões.

 

Joana não tinha irmãos e brincava sozinha. Só de vez em quando vinham brincar os dois primos ou outros meninos. Às vezes ela ia a uma festa. Mas esses meninos a casa de quem ela ia e que vinham a sua casa não eram realmente amigos: eram visitas. Faziam troça das suas casas de musgo e maçavam-se imenso no seu jardim.

 

E Joana tinha muita pena de não saber brincar com os outros meninos. Só sabia estar sozinha.

 

Mas um dia encontrou um amigo. Foi numa manhã de Outubro.

 

Joana estava encarrapitada no muro. E passou pela rua um garoto. Estava todo vestido de remendos e os seus olhos brilhavam como duas estrelas. Caminhava devagar pela beira do passeio sorrindo às folhas do Outono. O coração de Joana deu um pulo na garganta.

 

- Ah! - disse ela.

E pensou:

Parece um amigo. É exactamente igual a um amigo. E do alto do muro chamou-o:

- Bom dia!

 

O garoto voltou a cabeça, sorriu e respondeu:

- Bom dia!

 

Ficaram os dois uns momentos calados.

Depois Joana perguntou:

- Como te chamas?

- Manuel - respondeu o garoto.

- Eu chamo-me Joana.

 

E de novo entre os dois, leve e aéreo, passou o silêncio.

 

Ouviu-se tocar ao longe o sino duma quinta.

 

Até que o garoto disse:

- O teu jardim é muito bonito.

- É, vem ver.

 

Joana desceu do muro e foi abrir o portão.

 

E foram os dois pelo jardim fora. O rapazito olhava uma por uma, cada coisa. Joana mostrou-lhe o tanque e os peixes vermelhos. Mostrou-lhe o pomar, as laranjeiras e a horta. E chamou os cães para ele os conhecer. E mostrou-lhe a casa da lenha onde dormia um gato. E mostrou-lhe todas as árvores, as relvas e as flores.

 

É lindo, é lindo - dizia o rapazito gravemente.

- Aqui - disse Joana - é o cedro. É aqui que eu brinco.

 

E sentaram-se os dois sob a sombra redonda do cedro.

 

A luz da manhã rodeava o jardim: tudo estava cheio de paz e de frescura. Às vezes do alto de uma tília caía uma folha amarela que dava voltas no ar.

 

Joana foi buscar pedras, paus e musgo e começaram os dois a construir a casa do rei dos anões.

 

Brincaram assim durante muito tempo.

 

Até que ao longe apitou uma fábrica.

 

- Meio-dia - disse o garoto - tenho que me ir embora.

- Onde é que tu moras?

- Além nos pinhais.

- E onde é que brincas?

- Brinco em toda a parte. Dantes morávamos no centro da cidade e eu brincava no passeio e nas valetas. Brincava com latas vazias, com jornais velhos, com troncos e com pedras. Agora brinco no pinhal e na estrada. Brinco com as ervas, com os animais e com as flores. Pode-se brincar em toda a parte.

 

- Mas eu não posso sair deste jardim. Volta amanhã para brincares comigo.

 

E daí em diante todas as manhãs o rapazito passava pela rua. Joana esperava-o empoleirada em cima do muro. Abria-lhe a porta e iam os dois sentar-se sob a sombra redonda do cedro.

 

 

Sofia de Melo B. Andresen

 

 

 

 

Alice Alfazema

  

♥ em férias

Julho 14, 2012

Alice Alfazema

 

 

Alguém me disse: este ano vamos passar as férias como quando tínhamos 18 anos: com pouco dinheiro, muita diversão e muita paixão. Aproveito para seguir este dica, pois no fundo é o que tenho feito desde sempre.

 

Para quem se sinta deprimido, deixo uma mensagem: olhe à sua volta, sinta o Sol, viva os amigos, aproveite o lado bom da vida, no fundo o outro é uma opção. Não alimente rancores, não perca tempo com as ideias negativas, aprenda. Aprender é uma arte, toda a gente tem esse dom. Faça aquilo que julga não ter coragem, mas que gostaria de experimentar. Namore, namore muito. Abrace, abrace muito. Diga às pessoas de quem gosta que gosta delas e da sua companhia, diga aos seus filhos, aos seus pais, à sua mulher, ao seu marido, a quer quiser. Mude de atitude. Esse é o primeiro passo, e para começar ele é essencial. A vida constrói-se todos os dias, não desperdice um. 

 

Boas férias.

 

Um Abraço.

 

 

 

Alice Alfazema

O balde

Julho 13, 2012

Alice Alfazema

 

 

O mais importante na vida 
É ser-se criador — criar beleza.

 

Para isso, 
É necessário pressenti-la 
Aonde os nossos olhos não a virem

 

Eu creio que sonhar o impossível 
É como que ouvir a voz de alguma coisa 
Que pede existência e que nos chama de longe.

 

Sim, o mais importante na vida 
Ê ser-se criador.

 

 

António Botto

 

 

Alice Alfazema

As vacas que bebem vinho são mais felizes e têm a carne mais saborosa

Julho 11, 2012

Alice Alfazema

 

"Criadores de gado de Lunel-viel (França) desenvolveram uma nova técnica que consiste em dar vinhos às vacas para além da sua alimentação tradicional. A carne chama-se 'Vibovin' e promete fazer sucesso entre os restaurantes parisienses.

Jean-Charles Tastavy, o autor da ideia, afirmou que as vacas estavam visivelmente mais felizes e que a carne é bem mais suculenta, ao jornal britânico The Telegraph. 


"Para cada animal, a ingestão de álcool deve ser equivalente à quantidade recomendada pelas autoridades de saúde para um homem - ou seja, dois ou três copos de vinho por dia, no caso das vacas , isso equivale a entre um litro e um litro e meio por dia" , disse Tastavy.


Laurent Pourcel, um chef com uma estrela Michelin está entre os entusiastas desta carne de luxo. "Ela tem uma textura muito especial - bonita, marmorizada e tenra e que carameliza durante a confeção. Todos os melhores restaurantes parisienses a vão querer.", afirmou."

Noticia do DN 

 

 

Faz-me pensar que...

 

* As nossas vacas são infelizes?

 

* Poderíamos ser lideres de exportação de vinho se conseguíssemos ter como clientes os bovinos existentes no mundo.

 

* O excedente de vinho poderá substituir parte da água que as vacas bebem.

 

* Qual o sabor do leite de uma vaca alcoólica? Terá um leite com propriedades calmantes?

 

* Se as vacas estão mais felizes porque bebem vinho, então troque-se os antidepressivos por tintol.

 

 

 

 

Alice Alfazema

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