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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A pobreza é uma infelicidade, muitas vezes imerecida

Agosto 29, 2011

Alice Alfazema

 

 

Pintura de Francisco Goitia

 

Há, para o pobre, algo pior que a pobreza: é a solidão.

O seu estado de miséria cria à sua volta o vazio. Tem a impressão de ser abandonado no preciso momento em que não consegue bastar-se a si próprio.

Tem, sem dúvida, os «susídios», aqueles que se solicitam em fórmulas impressas, em frente de funcionários indiferentes.

Por muito grandes que possam ser, só conseguirão adiar a queda. Mais do que a esmola, o pobre tem necessidade de conforto, compreensão e amizade. E depois, há misérias que o dinheiro não pode solucionar e que não podem remediar ocupando um lugar na fila de um guiché. Basta que cada um remexa na sua própria memória ou no próprio coração para saber que não são estas as menos dolorosas.

Ora se a pobreza é uma infelicidade, muitas vezes imerecida, não deve ser nunca uma ruína.

 

 

Raoul Follereau

 

 

 

 

Alice Alfazema

Festa das vindimas 2011- Palmela

Agosto 28, 2011

Alice Alfazema

 

 

 

O final do Verão (se é que este ano tivemos Verão) aproxima-se, com ele, Setembro faz-nos companhia e, eis que por aí  ainda abundam festas e festivais, que de um modo ou outro festejam a vida e a alegria. Este é um convite a festejar o vinho e as vindimas, onde o trabalho de um ano se transforma em delicioso néctar.

 

Provem o moscatel e lembrem-se que na sua composição existe o Sol de Verão, o frio do Inverno, a nostalgia do Outono e a alegria da Primavera, provem-no e desfrutem disso tudo, do labor de quem o cultivou, podou, cuidou, colheu e o transformou. Alegrem-se com a música, com o céu, com o frio de Palmela e com a sua energia que paira pelas ruas desta vila antiga, mas lembrem-se igualmente que beber sem apreciar o sabor daquilo que se bebe é para além de tudo uma estupidez paranóica e viciante que mata neurónios e vida.

 

 

 

Programa de festas:

Festa das vindimas 2011

 

 

 

Alice Alfazema

Tempos de ócio

Agosto 27, 2011

Alice Alfazema

 

 

 

Os gatos,

não vagabundos mas sem um dono,

ao sol adormecidos

em ruas sem passeios,

ou esperando uma mão generosa

talvez entre ruínas,

os gatos

imortais de um modo tão humilde,

desafiam o tempo, permanecem

suportando bons e maus momentos,

nada sabendo da História

que levanta edifícios

ou os deixa abismar-se entre pedaços

belos ainda, agora nobres pedestais

dessas figuras: livres.

Olhar fixo de uns olhos muito verdes,

em solidão, em ócio e luz distante.

Olhos semicerrados, olhos quase chineses,

loira a pele e em calma iluminada.

Erguido junto a um mármore,

resto sobrevivente de coluna,

alguém feliz e pulcro

alisa-se com a pata bem lambida.

Gatos. Frente à História,

sensíveis, sérios, sozinhos, inocentes.

 

 

Jorge Guillén

 

 

 

Alice Alfazema

O instante existe

Agosto 25, 2011

Alice Alfazema

 

 

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste:

sou poeta.

 

Irmão das coisas fugidias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

no vento.

 

Se desmorono ou se edifico,

se permaneço ou me desfaço,

- não sei, não sei. Não sei se fico

ou passo.

 

Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

- mais nada.

 

 

Cecília Meireles

 

 

 

Alice alfazema

Pormenores

Agosto 24, 2011

Alice Alfazema

 

 

 

Enquanto a malta se admira por haver tubarões na costa entretenho-me a vadiar pelas revistas, essas de cultura generalizada...fico a saber que o nosso PM tem andado de chinelos de borracha que vai às compras com a sua querida esposa e que toma a bica depois do almoço, nestas andanças encontro também o ex-PM e, fico a saber que ele tem uns calções vermelhos que usa há já alguns anitos, isto apesar de gastar de diária cerca de mil euros...há que poupar e cada um poupa onde pode.

 

A leitura é tão diversificada que ficamos a saber que o casamento não é para toda a vida, que a jovem Maia está cada vez mais jovem (graças ao silicone) e que aumentou os glúteos e, que apesar de se deitar ao nascer do Sol ainda encontra tempo para: ir à praia dar umas ricas banhocas e mostrar os glúteos. Todos se mostram sempre sorridentes e as senhoras fazem poses de diva, com o joelho ligeiramente dobrado e a curva dorsal inclinada numa tentativa de elevar os glúteos ao mesmo tempo que elevam os implantes mamários e, ainda assim, mantém um sorriso esplendoroso, é deveras fantástico.

 

Fico a pensar que as tendências da moda são diversificadas, que os cabelos loiros abundam, num penteado já há muito repetido e que as caras se repetem e repetem numa e noutra revista.

 

No meio de isto tudo encontro uma foto que me fascina, pelo meio a contagem dos 850 diamantes, o penteado e o sorriso que parece pregado no rosto, é assim a protagonista da grande festa  do Baile da Cruz Vermelha, olho outra vez e, vejo a graciosidade de um vestido lindo, mas, igualzinho ao tecido que cobrem as mesas da festa. Penso que sobrou imenso tecido e daí houve um aproveitamento para a confecção das toalhas, o que realmente é bem pensado, pois estamos em época de poupanças é sem dúvida um exemplo a seguir.

 

 

 

 

Alice Alfazema 

 

Avistamento de tubarões

Agosto 23, 2011

Alice Alfazema

 

 

 

 

Durante este verão o avistamento de tubarões martelo nas praias algarvias tem afligido algumas pessoas, pois tratando-se de animais selvagens são tidos como perigosos e extremamente agressivos …noticiam os jornais, as televisões. O pessoal está apreensivo. Olha para o mar como se algo de estranho se passasse; ora pois, sendo o mar a casinha dos tubarões é normalíssimo que os mesmos naveguem por lá e, que o façam junto à costa também me parece natural, que eu saiba não existem interdições à navegação tubarina...

 

 

 

Alice Alfazema

Agosto 20, 2011

Alice Alfazema

 

 

Palavra nunca vista e nunca ouvida

mas presente em meu sangue e em minha alma

como a lembrança vaga de um poente...

 

 

Sebastião da Gama

 

 

 

 

Alice Alfazema

Humor

Agosto 19, 2011

Alice Alfazema

 

Um colunista acompanhava um amigo a uma banca de jornais. O amigo cumprimentou amavelmente o ardina, mas recebeu de volta um tratamento rude e grosseiro. Pegando no jornal que tinha sido atirado na sua direcção, o amigo do colunista sorriu polidamente e desejou um bom fim-de-semana ao vendedor. Quando os dois desciam pela rua, o colunista perguntou:

 

- Ele trata-o sempre assim, deste modo grosseiro?
- Sim, infelizmente, sempre foi assim...
- E você é sempre tão polido e simpático com ele?
- Sim, procuro ser.
- Porque é tão educado, se ele é tão grosseiro consigo?
- Porque não quero que seja ele a decidir como eu devo de agir.

Moral da história: qualquer pessoa é o seu próprio dono e não deve curvar-se diante do vento que sopra, não pode ficar mercê do mau humor, da impaciência e da raiva dos outros. Não são os ambientes que a transformam, mas ela quem transforma os ambientes.

 

 

 

in, O que podemos aprender com os gansos selvagens, Alexandre Rangel

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Alice Alfazema

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