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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A pobreza é uma infelicidade, muitas vezes imerecida

 

 

Pintura de Francisco Goitia

 

Há, para o pobre, algo pior que a pobreza: é a solidão.

O seu estado de miséria cria à sua volta o vazio. Tem a impressão de ser abandonado no preciso momento em que não consegue bastar-se a si próprio.

Tem, sem dúvida, os «susídios», aqueles que se solicitam em fórmulas impressas, em frente de funcionários indiferentes.

Por muito grandes que possam ser, só conseguirão adiar a queda. Mais do que a esmola, o pobre tem necessidade de conforto, compreensão e amizade. E depois, há misérias que o dinheiro não pode solucionar e que não podem remediar ocupando um lugar na fila de um guiché. Basta que cada um remexa na sua própria memória ou no próprio coração para saber que não são estas as menos dolorosas.

Ora se a pobreza é uma infelicidade, muitas vezes imerecida, não deve ser nunca uma ruína.

 

 

Raoul Follereau

 

 

 

 

Alice Alfazema

Festa das vindimas 2011- Palmela

 

 

 

O final do Verão (se é que este ano tivemos Verão) aproxima-se, com ele, Setembro faz-nos companhia e, eis que por aí  ainda abundam festas e festivais, que de um modo ou outro festejam a vida e a alegria. Este é um convite a festejar o vinho e as vindimas, onde o trabalho de um ano se transforma em delicioso néctar.

 

Provem o moscatel e lembrem-se que na sua composição existe o Sol de Verão, o frio do Inverno, a nostalgia do Outono e a alegria da Primavera, provem-no e desfrutem disso tudo, do labor de quem o cultivou, podou, cuidou, colheu e o transformou. Alegrem-se com a música, com o céu, com o frio de Palmela e com a sua energia que paira pelas ruas desta vila antiga, mas lembrem-se igualmente que beber sem apreciar o sabor daquilo que se bebe é para além de tudo uma estupidez paranóica e viciante que mata neurónios e vida.

 

 

 

Programa de festas:

Festa das vindimas 2011

 

 

 

Alice Alfazema

Tempos de ócio

 

 

 

Os gatos,

não vagabundos mas sem um dono,

ao sol adormecidos

em ruas sem passeios,

ou esperando uma mão generosa

talvez entre ruínas,

os gatos

imortais de um modo tão humilde,

desafiam o tempo, permanecem

suportando bons e maus momentos,

nada sabendo da História

que levanta edifícios

ou os deixa abismar-se entre pedaços

belos ainda, agora nobres pedestais

dessas figuras: livres.

Olhar fixo de uns olhos muito verdes,

em solidão, em ócio e luz distante.

Olhos semicerrados, olhos quase chineses,

loira a pele e em calma iluminada.

Erguido junto a um mármore,

resto sobrevivente de coluna,

alguém feliz e pulcro

alisa-se com a pata bem lambida.

Gatos. Frente à História,

sensíveis, sérios, sozinhos, inocentes.

 

 

Jorge Guillén

 

 

 

Alice Alfazema

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