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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Formula mágica

Fevereiro 23, 2011

Alice Alfazema

 

 

 

 

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

 

 

 

Vinicius de Moraes

 

 

Viver infinitamente enquanto dure, é a formula mágica...Difícil de alcançar.

O nevoeiro dos preconceitos

Fevereiro 22, 2011

Alice Alfazema

 

 

 

 

O diálogo exige abertura de espírito para ver outras perspectivas da realidade, sem o nevoeiro dos preconceitos.

Cada um de nós faz bem em afirmar, com entusiasmo, aquilo em que acredita, mas tem de admitir, com humildade, que pode estar enganado nos seus pontos de vista. Deve, por isso, mostrar-se disponível para aceitar discordâncias e aprender com a opinião contrária. Só aprende e evolui quem é humilde.

Na comunicação interpessoal, as certezas absolutas são sempre ridículas. Ninguém é dono da verdade. Ninguém sabe tudo. Todos ganhamos no confronto honesto e na partilha com os outros, qualquer que seja a nossa experiência, cultura ou condição social.

O diálogo entre as pessoas, como entre as culturas e as religiões, diminui a cegueira da ignorância. Permite ver melhor e mais longe. É o caminho da sabedoria, da conciliação e da paz.

 

António Estanqueiro

Naquele tempo

Fevereiro 22, 2011

Alice Alfazema

 

 

Naquele tempo existiu um homem.

Ele existiu e existe, pois narramos sua história.

Existiu porque nós existimos.

Num certo tempo existirá um homem, uma vez que plantamos oliveiras para ele e desejamos que usufrua do horto.

 

 

Agnes Heller

 

Para além das nuvens

Fevereiro 20, 2011

Alice Alfazema

 

 

 Pintura de Will Cotton

 

Por vezes as nuvens parecem algodão doce, o que haverá para além delas? O que nos trouxe a este mundo, e o que há para para lá dele?

Será a vida finita, resumindo-se a meros anos aqui passados, ou haverá um retorno ao infinito, à raiz da nossa essência; para lá de onde mora o espírito; e onde as nuvens são de várias cores, onde a música sabe a calor, e é leve o pensamento; ali  onde as dores ficam guardadas, para um novo recomeço.

Sementes de solidão

Fevereiro 19, 2011

Alice Alfazema

Há uns meses atrás, antes do Natal, as noticias, sobre a fome das crianças, eram manchete de jornais, revistas e televisões. Hoje parece que tudo isso já passou, deixou de existir… O espírito natalício desapareceu, mas a fome continua, essa que ninguém dá por isso, pois os assuntos que vendem são outros!

 

A fome que hoje se vive, não é só uma fome de alimentos, mas, sim, e também, uma fome de afectos e de atenções, de preenchimentos de alma e carinhos. O que leva um filho a esfaquear um pai, uma mãe? As razões ignoradas, num tempo de solidão. Fala-se da solidão dos velhos, e a solidão das crianças? Daquelas que não o conseguem expressar, das que disso se envergonham, e, das outras, que nem dão por isso.

 

A escola é a família que os acolhe, mas que não consegue, preencher esse vazio, que flutua em seu redor; a solidão dos afectos, que cria razões desconhecidas e não procuradas, que não convêm - desenterrar. Os pais dão o que podem e o que conseguem com o dinheiro, mas o que lhes falta, ninguém, o consegue comprar. Quanto custa um abraço? Um beijo? Um carinho? Um tempo de partilha? Momentos de emoção, sementes de futuro, lembranças de passado? Investe-se naquilo que não vale e perde-se aquilo que se quer.

 

A lembrança dos dias é: um retorno agradável, maravilhoso, daquilo que se viveu e dos valores que nos são transmitidos. Onde, tudo o que foi dito é aprendido, é algo a guardar.  

 

Pergunto-me, onde irão buscar - estas crianças de que falo, lembranças que lhes tragam valores e sementes (para que possam), plantar um jardim - onde não haja solidão.  

Que parva que eu fui

Fevereiro 13, 2011

Alice Alfazema

Assunto  de que se fala: hino da "geração parva"

 

 Na minha história eu poria o verbo no passado e diria:

 

Que parva que eu fui,

Começar a trabalhar antes dos quinze anos,

não viver a adolescência,

para ajudar os pais,

por uma ninharia...

levantar-me às 5h, viajar em dois transportes

e trabalhar nove horas diárias,

numa linha de produção...

 

Fazer greves e lutas laborais

para que o horário fosse reduzido

para que licença de maternidade

fosse uma realidade

para que a hora da mama

chegasse a ser verdade,

para que existisse

subsídio de refeição,

de férias e de Natal,

para que outras leis se tornassem uma realidade

tais como o direito ao estudo,

que parva que eu fui...

 

Se soubesse que esta geração

valor não lhe atribuí,

tinha ficado no meu canto,

esperando acontecer,

esmolando

me vitimizando

sentindo pena de mim

que parva que eu fui...

 

Os tempos que correm são difíceis,

nunca o foram fáceis,

a ninharia é a mesma,

que parva que eu fui...

podia ter ficado mais tempo na casa dos pais,

ter trabalhado menos,

não me ter sacrificado pelos filhos,

arranjava antes um cão...

punha as culpas nos outros,

e pensava antes na aparência

no casaco, no carro,

no perfume...

que parva que eu fui...

 

Agora não posso voltar atrás,

numa próxima encarnação...Quem sabe?

 

Alice A.

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