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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Libelinha Dourada

Agosto 31, 2010

Alice Alfazema

 

 

 

Uma libelinha vaidosa e que sabe o que quer, resistiu aos focos de luz, a um espirro...aos gritos dos miúdos, lançou-se ao ar por três vezes mas não desistiu de posar para a foto e por três vezes pousou no mesmo sítio, incrível...parecia até dizer:

 

«Se as pessoas vivessem a vida de trás para a frente, seria assim: as pessoas deveriam primeiro morrer e, assim ficariam logo livres disso. Em seguida, viveriam vinte anos num asilo. Ao atingir a maturidade, deixariam o asilo, ganhariam um relógio de ouro e arranjariam um emprego. Depois de trabalharem por uns quarenta anos, até ficarem suficientemente jovens, viria a reforma.

Daí, iríamos para a faculdade, experimentaríamos drogas, álcool, iríamos a festas, até nos prepararmos para o liceu. Depois do secundário, viria o primário e seriamos crianças, poderiamos brincar, não ter responsabilidades. Daí, toda gente seria bébé de novo, voltaria ao útero, passaria os últimos nove meses flutuando e terminaria como um brilho no olhar de alguém.»

 

Não sei quem é autor deste pequeno grande texto, mas a libelinha que já foi a ninfa que viveu e morreu noutro corpo, que para uns é considerada um simbolo de mudança e beleza e para outros tem nomes pouco dignos da sua pessoa... poderia sem dúvida dizê-lo.

O grito da gaivota

Agosto 31, 2010

Alice Alfazema

" Dei  vários gritos, muitos gritos, autênticos gritos.[...], porque queria ouvir a minha voz e os sons não chegavam até mim." 

"Eu dançava toda noite com o meu corpo colado aos balaústres da pista, vibrando ao ritmo da música."

 

" Quanto a mim, não sei o que é barulho. Nem silêncio. São duas palavras sem sentido."

 

 "Vejo como poderia ouvir.

Os meus olhos são os meus ouvidos.

Tanto escrevo como falo por gestos.

As minhas mãos são bilingues.

Ofereço-vos a minha diferença."

 
 

in,O Grito da Gaivota, Emmanuelle Laborit

Desta Margem

Agosto 28, 2010

Alice Alfazema

 
Desta Margem

Desta margem
D'onde o céu se abre largo
Em arco sobre o rio
A esta hora
Em que o tempo hesita e pára
Deixando-se ficar
A esta hora
Tão singular
De mágicos torpores
Estendo os olhos
Bebo aos meus amores
E deixo-me levar

 

Deixo-me ir
À flor das águas
Assim como que vai,vai
Tão tranquilo
Sem destino
Enquanto a noite cai
Como quem
Sem outro rumo
Ou direcção
Se deixasse assim levar
P'lo coração

 

Vai de viagem
Ninguém sabe p'r'onde vai
Vai sem bagagem
Nem direcção
Sai sem destino
Quando a noite cai
Sobre esta margem
Do coração

 

A esta hora estranha hora
Em que tudo pára
Só minh'alma teima e voa
Do meu peito pra fora

 

Deixo-a ir
Na maré
De outras fantasias
Já se perde
Na espuma de outros
Noutro lugar.

 

 

 

Composição: Paulo gonzo
 

Voar...

Agosto 27, 2010

Alice Alfazema

Quando comecei a escrever aqui, fiz um paragrafo na minha vida, procurei outros modos de dizer o que penso, quer seja através de histórias, músicas, frases ou reflexões minhas ou de outros, simplesmente porque gosto. Escolhi um nome que me lembra perfumes de infância e de momentos felizes. 

Tenho dificuldade em compreender as pessoas que nunca mudam, e por vezes sinto-me muda quando falo com elas. Sempre que escrevo

aqui, lembro-me daqueles a quem falo, e que não me ouvem, que muitas vezes até me acham criança(quanto mais envelheço, mais gosto de  me sentir criança, é uma fase tão boa da vida... que não quero desligar-me dela!)... lembro-me daqueles que pensam que as depressões da vida se curam só com comprimidos, e os tomam como se fossem boias de salvação, para o imenso vendaval de emoções em que vivem... Lembro-me que deveriam fazer terapia da escuta, porque quando se perde a capacidade de escutar, perde-se também a capacidade de aprender e aprender é mudar e crescer.

Escrever, é uma forma de aliviar a sensação, de desgaste e inutilidade, que sinto, quando não posso mudar o outro, de fazê-lo ouvir, que desistir não é solução, pode até parecer ser o lado mais fácil, mas é a atitude mais ferrugenta.

 

Sinto-me aqui, como as aranhas pequenininhas, que voam sobre oceanos, leves...leves...e que não sabem onde vão parar, é bom escrever sem compromissos com as palavras, é bom não desistir apenas mudar...

 

 

Se observarmos as plantas, podemos resolver muitos problemas existenciais, elas(as árvores) estendem as suas raízes e experimentam novas sensações e sabores...Qualquer pessoa pode fazer isto são atitudes de crescimento, é deixar-se ir sem estar à espera...é não estar agarrado ao sofrimento de um só assunto, às paixões funestas e impossíveis...ao choro, às lembranças dos actos dos outros, do que poderíamos ter feito...daquilo que se quer desesperadamente...isto são reticências de frases de vida que prolongam o sofrimento inutilmente.

Há que fazer um ponto final em histórias repetitivas, e o melhor é fazer um ponto final paragrafo, mudar o assunto e incluir muitos outros. Os livros, as viagens, um animal de estimação, um novo visual, fazer desporto, dieta, mudar de perfume...são optimos começos de frases que podem crescer para textos maravilhosos.

Bloquearmo-nos num só assunto é não dar asas à imaginação, é jogar aos dados sempre com o mesmo número, é gostar sempre da mesma fruta, é ver o mesmo filme vezes sem conta, é um universo obscuro sem estrelas nem Sol.

Quem não conseguir perceber, observe as crianças. Elas têm medo de perguntar? Não, porque sabem que desta forma aprendem. Têm medo das opiniões dos outros? Não, isso até nem lhes passa pela cabeça, fazem porque querem, porque gostam, porque lhes dá alegria. Preocupam-se com desculpas? Não, dão asas à imaginação.

Se mudar é dar asas à imaginação, é pois tempo de fazer um ponto final paragrafo e mudar de assunto.

 

 

Alice Alfazema

 

Fazer o que ainda não foi feito

Agosto 26, 2010

Alice Alfazema

 
Sei que me vês
Quando os teus olhos me ignoram
Quando por dentro eu sei que choram
Sabes de mim
Eu sou aquele que se esconde
Sabe de ti, sem saber onde
Vamos fazer o que ainda não foi feito

Trago-te em mim
Mesmo que chova no verão
Queres dizer sim, mas dizes não
Vamos fazer o que ainda não foi feito

E eu sou mais do que te invento
Tu és um mundo com mundos por dentro
E temos tanto pra contar
Vem nesta noite
Fomos tão longe a vida toda
Somos um beijo que demora
Porque amanhã é sempre tarde demais

E eu sei que dói
Sei como foi andares tão só por essa rua
As vozes que te chamam e tu na tua
Esse teu corpo é o teu porto, é o teu jeito
Vamos fazer o que ainda não foi feito

Sabes quem sou, para onde vou
A vida é curva, não uma linha
As portas que se fecham e eu na minha
A tua sombra é o lugar onde me deito
Vamos fazer o que ainda não foi feito

E eu sou mais do que te invento
Tu és um mundo com mundos por dentro
E temos tanto pra contar
Vem nesta noite
Fomos tão longe a vida toda
Somos um beijo que demora
Porque amanhã é sempre tarde demais

Tens uma estrada
Tenho uma mão cheia de nada
Somos um todo imperfeito
Tu és inteira e eu desfeito
Vamos fazer o que ainda não foi feito

E eu sou mais do que te invento
Tu és um mundo com mundos por dentro
E temos tanto pra contar
Vem nesta noite
Fomos tão longe a vida toda
Somos um beijo que demora
Porque amanhã é sempre tarde demais

Vem nesta noite
Fomos tão longe a vida toda
Somos um beijo que demora
Porque amanhã é sempre tarde demais

Porque amanhã é sempre tarde demais
Porque amanhã é sempre tarde demais
Porque amanhã é sempre tarde demais

Pais Brilhantes, Professores Fascinantes

Agosto 25, 2010

Alice Alfazema

"Diga aos seus filhos que eles não estão no rodapé da sua vida, mas nas páginas centrais da sua história."

 

 

"Educar não é repetir palavras, é criar ideias, é encantar."

 

 

"Um educador deve valorizar mais a pessoa que erra do que o erro da pessoa"

 

 

"Ser feliz requer treino e não é uma obra do acaso."

 

"A confiança é um edifício difícil de ser construído, fácil de ser demolido e muito difícil de ser reconstruído"

 

in, Pais Brilhantes, Professores Fascinantes, Augusto Cury

Folhas amareladas

Agosto 24, 2010

Alice Alfazema

Encontrei o velho livro, com as folhas amareladas, pelo tempo, um diário do tempo que já não volta. Abri na página que estava marcada com um velho cordão de algodão, as letras bonitas e cuidadas formavam linhas suaves e despreocupadas, como se quem ali escreveu não se regulasse pelo tempo e sim pelas memórias. Havia uma pergunta sublinhada, por uma cor desbotada, ali tão bem desenhada e que me leva a pensar também, «Serei um vencedor? Perguntei ao meu pai e ele me respondeu: - Não sei filho, só tu o podes saber, posso-te dar o meu parecer, aquele que ganhei com a experiência da  minha vida. Ser um vencedor, não é chegar em primeiro lugar, ser um vencedor é não deixar de lutar, é não desistir, ganhar é alcançar um breve lugar por breves minutos no tempo do agora, vencer é nunca desistir no tempo do sempre. Aquele que se vence a si próprio não precisa de ganhar, porque é um lutador no espaço do tempo que necessitar, porque não se importa que hoje não conseguiu ganhar, e sabe que amanhã há mais oportunidades para vencer. O importante para se ser um vencedor não é ganhar é sim nunca desistir!»

Fechei o livro e lembrei-me qua para ganhar há só um lugar, mas para vencer existem enumeras possibilidades.

 

 

 

Alice A.

 

 

Emoção

Agosto 24, 2010

Alice Alfazema

A emoção é o motor de arranque da vida. Um acontecimento sem emoção não é acontecimento. É apenas a matéria a mexer-se. E a matéria a mexer-se não é nada. Até o vento faz a matéria mexer-se; não é necessária a intervenção do ser humano.

Precisamos do ser humano para dar emoção aos acontecimentos, para dar alma às coisas.

E a emoção que as pessoas colocam nas coisas ou acontecimentos liberta uma energia sem limites. A emoção faz rodar o mundo.

A emoção faz as crianças nascerem, os projectos prosperarem, as distâncias diminuírem e a vida acontecer.

Quais os assuntos que merecem a nossa atenção? Os que suscitam emoção. Estar num evento sem alma é como ser pedra à espera que o tempo passe. Para morrer. Para um dia, talvez, voltar a nascer, com outra conciência. Com outro propósito. Com outra emoção.

O assunto que tens em mãos suscita-te emoção? Que tipo de emoção? Qual a parte de ti próprio que estás a colocar nas coisas?

Faz uma meditação. Fecha os olhos, respira e pergunta: «Que Parte de mim próprio é que estou a colocar neste acontecimento? A mente ou o coração? Está tudo esquematizado ao pormenor, ou tudo começa apenas com uma imensa vontade?»

Se a resposta for a segunda, avança.

 

 

 

in, LUZ pergunte, o Céu responde, Alexandra Solnado

 

 

 

Franqueza:Sinceridade

Agosto 23, 2010

Alice Alfazema

- Mas então, a sinceridade não tem valor para ti - protestei.

- Claro que tem, Damião. O que se passa é que me recuso a instituí-la por decreto.

- E como é que há-de surgir esse mundo que tu e eu desejamos?

- À medida que o tempo e a vida forem passando, vai acontecer, e já está a acontecer-te, que te cruzarás com pessoas com as quais te sentes tão livre que não terás necessidade de mentir. Encontrarás pessoas às quais permitirás serem como são, a tal ponto que elas não precisarão de te mentir. Esses são os teus verdadeiros amigos. Zela por eles-sentenciou o Jorge.- E  se esses amigos e tu se derem conta de que convosco começa toda uma nova ordem...

- Diz-me, para ti a franqueza é património exclusivo da amizade?

- É. Mas cuidado: a franqueza é uma coisa e a sinceridade outra.

- Outra?

- Outra!

- Isto é?

- Franqueza vem de franco, de aberto. Lembra-te da ideia de «livre trânsito». Ser franco significa que não há nenhum espaço oculto dentro de mim que seja vedado. Não existe nenhum recanto do meu pensamento, sentimento ou memória que não conheça ou que queira manter reservado. A sinceridade é muito menos que isso. Para mim, a sinceridade é: «Tudo o que te digo é verdade. Pelo menos verdade para mim.» Ou seja, «não te minto», como dirias tu.

- Ou seja, pode-se ser sincero mas não franco.

- Com toda a certeza. A franqueza, Damião, é um luxo, como o Amor (assim, com maiúscula). Um sentimento reservado para poucos, muito poucos.

- Mas, Jorge, se isso é verdade, eu posso ter espaços dentro de mim que te estão vedados, sem deixar por isso de ser sincero. É o  mesmo que dizer que ocultar não é mentir.

- Pelo menos para mim ocultar não é mentir. Sempre e conquanto não mintas para ocultar.

- Um exemplo, por favor.

 

Diálogo entre um casal.

- Que se passa?

- Nada...

(Sim. Passa-se alguma coisa e ele sabe, embora não consiga explicar o que é. Está a mentir.)

 

Outro caso:

- Que se passa?

- Não sei...

(Sim. Passa-se alguma coisa e ele sabe o que é. Então, está a mentir.)

 

Mais um:

- Que se passa?

- Não me apetece responder-te agora.

(Pode parecer mais problemático, mas esta pessoa está a ocultar e, no entanto, é sincera.)

 

- Mas, Jorge, nos primeiros dois exemplos, a minha namorada seria capaz de me tolerar ou de me compreender. Neste último caso, mandava-me à merda.

- Bom, então talvez esteja na hora de repensares que tipo de companheira tens, que compreende e tolere quando mentes e castiga quando és sincero.

- Tens sempre uma resposta para tudo?

- Tenho! Todos temos sempre uma resposta. Ainda que, por vezes, seja o silêncio, outras vezes, a confusão, e outras, ainda, a fuga.

 

 

 

Ninguém tem mais probabilidades

de cair num engano

do que aquele para quem a mentira

se ajusta aos seus desejos

 

 

 

 

in, Deixa-me Que Te Conte, Jorge Bucay

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