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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Cabelos ao vento

Não sou nem nem lembro ter sido aquele tipo de indivíduo a quem perspectiva  da morte (própria) amedronte. Hoje, na volta ciclística, alguns dos que por mim passavam apontavam para a cabeça. Admoestação. Não levei capacete. Muitas vezes não levo. Mais cedo ou mais tarde, um dia morrerei, não há capacete que me salve disso. Se morrer mais cedo, dado que não pratico golf nem invisto na bolsa, e sou assalariado, deixo de ser um peso prá economia. Enquanto vivo, e porque já vou nos cinquenta e cinco, de vez em quando apetece-me apanhar vento no cabelo. Não sei (o cabelo) quanto durará, é aproveitar.

 

Do blogue, Âncoras e Nefelibatas

 

 

Alice Alfazema

Onde fica este maravilhoso Jardim?

Para o Robinson Kanes e Margarida com amizade.

 

Uma das coisas a que dou mais importância quando vou a algum lugar diferente é a qualidade dos seus jardins. A forma como a comunidade vê o seu jardim e a maneira como desfruta dele podem ser indicadores de bem estar social. 

 

rosa.jpg

 

Um jardim bem cuidado é um jardim amado. E o que emana amor faz bem à saúde. A sombra fresca de uma árvore no Verão quente, a cor vibrante de uma rosa, o murmurar dos diversos tons de castanho, o canto de um pássaro. São mensagens da Natureza, são abraços invisíveis, por isso nos sentimos tão bem em locais assim.

 

árvore.jpg

 

Quantos anos terá esta jovem? É tão bom poder acariciar um tronco destes e imaginar a paisagem que é possível encontrar lá em cima. Quero ser um pássaro e alugar uma varanda num tronco lá bem no alto. Quero ser uma formiga e fazer a minha casa nesta casca rugosa. Também posso ser uma minhoca e ver estas magnificas raízes, que poder existirá lá embaixo?

 

galo.jpg

 

Os jardins são lugares mágicos. Quando estive desempregada ia muitas vezes para o jardim, levava um livro e ficava lá a ler e a observar a beleza da Mãe natureza, muitas vezes perdia-me naquilo que estava a ler, mas em todas elas saía dali muito melhor.

 

Estas fotografias são de um jardim em Cascais, O parque Marechal Carmona, é um lugar maravilhoso, que descobrimos por acaso, onde as pessoas podem levar comida e fazer um lanche no parque, podemos ver patos andando na relva e voando por entre as árvores, os periquitos verdes dão-nos as boas-vindas olhando para nós nos ramos das árvores frondosas.

 

 

Há carreiros esculpidos ao longo de todo o parque e lugares pequeninos com pormenores deliciosos, é um parque para namorar, é um parque para imaginar mundos mágicos. No meio há uma cafetaria ao pé do lago, também tem um parque infantil e mesas e cadeiras para esticarmos o corpo. E por lá podemos acrescentar à magia a Biblioteca Municipal Infantil e Juvenil.

 

 

 

E após fazer uma pesquisa para vos mostrar mais estas duas fotografias acima, descobri que todos os sábados este parque recebe o Mercado Biológico de Cascais, onde pode encontrar produtos de agricultura biológica, certificados. Frutas, verduras, compotas, doces, pães e bolos regionais são alguns dos ‘mimos’ que pode levar para casa, após um belo passeio pelo Marechal Carmona.

 

Mais um motivo para viajarem até Cascais. Bom passeio e divirtam-se.

 

 

Alice Alfazema

 

 

 

 

Naquele tempo

 

Ilustrações  Rebecca Cobb

 

 

 

 

 
 
Naquele tempo falavas muito de perfeição,
da prosa dos versos irregulares
onde cantam os sentimentos irregulares.
Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão,

agora lês saramago & coisas assim
eu já não fico a ouvir-te como antigamente
olhando as tuas pernas que subiam lentamente
até um sítio escuro dentro de mim.

O café agora é um banco, tu professora do liceu:
Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.
Agora as tuas pernas são coisas úteis, andantes,
e não caminhos de andar como dantes,
chamando do fundo do meu coração.
 
 
 
Manuel António Pina, in Todas as Palavras, ed. Assírio & Alvim 
 
 
 
 
Alice Alfazema
 

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