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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Criar laços

Novembro 22, 2017

Alice Alfazema

Fotografia de Michał Lewandowski

 

 

Foi então que apareceu a raposa:
– Bom dia – disse a raposa.
– Bom dia – respondeu o principezinho com delicadeza. Mas ao voltar-se não viu ninguém.
– Estou aqui – disse a voz -, debaixo da macieira…
– Quem és tu? – disse o principezinho. – És bem bonita…
– Sou uma raposa – disse a raposa.
– Anda brincar comigo – propôs-lhe o principezinho. – Estou tão triste…
– Não posso brincar contigo – disse a raposa. – Ainda ninguém me cativou.
– Ah! perdão – disse o principezinho.
Mas, depois de ter reflectido, acrescentou: – Que significa “cativar”?
– Tu não deves ser daqui – disse a raposa. – Que procuras?
– Procuro os homens – disse o principezinho. – Que significa “cativar”?
– Os homens – disse a raposa – têm espingardas e caçam. E uma maçada! Também criam galinhas. É o único interesse que lhes acho. Andas à procura de galinhas?
– Não – disse o principezinho. – Ando à procura de amigos. Que significa “cativar”?
– É uma coisa de que toda a gente se esqueceu – disse a raposa. – Significa “criar laços…
– Criar laços? –
Isso mesmo – disse a raposa. – Para mim, não passas, por enquanto, de um rapazinho em tudo igual a cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu não precisas de mim. Para ti. não passo de uma raposa igual a cem mil raposas. Mas, se me cativares, precisaremos um do outro. Serás para mim único no mundo. Serei única no mundo para ti…
– Começo a compreender – disse o principezinho. – Existe uma flor.., creio que ela me cativou.
– É possível – disse a raposa. – Vê-se de tudo à superfície da Terra…

 

 

 

Antoine de Saint-Exupéry, in O Principezinho)

 

 

 

Fotografia de Agnieszka i Włodek Bilińscy 

 

 

 

Alice Alfazema

 

 

Bom dia :-)

Novembro 19, 2017

Alice Alfazema

 

Enfunando os papos, 
Saem da penumbra, 
Aos pulos, os sapos. 
A luz os deslumbra. 



Em ronco que aterra, 
Berra o sapo-boi: 
- "Meu pai foi à guerra!" 
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!". 



O sapo-tanoeiro, 
Parnasiano aguado, 
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado. 

 

 

 

Vede como primo 
Em comer os hiatos! 
Que arte! E nunca rimo 
Os termos cognatos. 



O meu verso é bom 
Frumento sem joio. 
Faço rimas com 
Consoantes de apoio. 



Vai por cinquüenta anos 
Que lhes dei a norma: 
Reduzi sem danos 
A fôrmas a forma. 



Clame a saparia 
Em críticas céticas:
Não há mais poesia, 
Mas há artes poéticas..." 

 

 

 

Urra o sapo-boi: 
- "Meu pai foi rei!"- "Foi!" 
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!". 



Brada em um assomo 
O sapo-tanoeiro: 
- A grande arte é como 
Lavor de joalheiro. 



Ou bem de estatuário. 
Tudo quanto é belo, 
Tudo quanto é vário, 
Canta no martelo".

 

Outros, sapos-pipas 
(Um mal em si cabe), 
Falam pelas tripas, 
- "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!". 

 

 

 

Longe dessa grita, 
Lá onde mais densa 
A noite infinita 
Veste a sombra imensa; 



Lá, fugido ao mundo, 
Sem glória, sem fé, 
No perau profundo 
E solitário, é 



Que soluças tu, 
Transido de frio, 
Sapo-cururu 
Da beira do rio...

 

 

Poema de Manuel Bandeira

 


E tu que lês-te isto, que tipo de sapo és tu?

 

 

Fotografias retiradas daqui.

 

 

Alice Alfazema

 

Conversas da escola - Continisticália

Novembro 18, 2017

Alice Alfazema

alicinha.jpg

 

Ainda não li este livro, mas estou deveras entusiasmada por o fazer, como custa quinze euros vou juntar umas moedinhas e comprá-lo assim que possa. Gosto do título e da fotografia e assim que o vi lembrei-me de outros empregados que também precisam de uma orientação para o serviço: as auxiliares das escolas públicas. É que essa gente é macaca, alguns até sabem ler e escrever, e ainda conseguem fundamentar as suas ideias. 

 

Porque esta gente quer ter uma carreira e um ordenado digno, onde já se viu isso? Para quê tantas tretas destas, basta saber manobrar uma vassoura e uma esfregona, e fazer uma vénias quando tal for necessário. Seria um verdadeiro sucesso um guia prático para introduzir disciplina nessa gente.

 

Dona Paula Bobone num próximo livro lembre-se de nós, se faz favor. 

 

Alicinha Contina

 

 

 

Alice Alfazema

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